São Jorge Cavaleiro Templar

23/04/2019

A devoção a São Jorge veio do Oriente, no século XI, trazida pelos cruzados. São Jorge é o paladino da luta contra o inimigo primordial, a serpente maldita, Satanás. Ele é o herói na luta contra o próprio chefe dos inimigos de Cristo e de seu povo. 
A devoção teve imenso papel na cruzada de Reconquista da Espanha e Portugal, países invadidos pelos muçulmanos. O milagre da Batalha de Alcoraz no Reino de Aragão marcou época.
Aragão ficou ligado à figura do santo cavaleiro que apareceu naquela batalha combatendo lado a lado contra o moraima muito superior em número e que ainda confessou ter visto o cavalheiro sobrenatural de brancas insígnias. 
Desde então, o reino aragonês adotou como emblema a própria Cruz de São Jorge (cruz vermelha sobre fundo branco) e quatro cabeças de mouros. 
O rei Pedro IV o Cerimonioso, por ocasião de um enfrentamento com o rei Pedro I de Castela, ordenou a seus exércitos levar bandeiras "com o sinal de São Jorge" (1356-1359). Até o dragão ‒ o drac ‒ apareceu nas roupagens de cerimônia.

São Jorge preside a capela do palácio de La Aljafería, em Zaragoza, e é invocado em todas as igrejas do Reino implorando sua intercessão pela vitória dos heróis aragoneses. 
A devoção a São Jorge de início foi quase uma exclusividade do monarca e dos cavaleiros. Mas no século XIII apareceram muitas confrarias sob o patrocínio do Santo guerreiro. O rei Pedro IV promoveu uma confraria posta "no serviço de Deus e de Nossa Senhora Santa Maria e em veneração e reverência ao Senhor São Jorge, composta de nobres e cavaleiros". Em Huesca, 1243, foi fundada a Confraria de São Jorge. E, em Teruel, outra do mesmo nome, em 1263 sob o patrocínio real de Jaime I.
A "Diputación del Reino" de Aragão, espécie de assembléia dos representantes dos povos, adotou a simbologia do santo nos selos dos documentos, erigiu uma capela a ele dedicada, e a sala principal do palácio recebeu o nome do santo e sua imagem foi instalada em local privilegiado.
As primeiras igrejas do santo guerreiro foram a de Monzón, Espanha, mencionada em 1090, e a de São Jorge de las Boqueras, perto de Huesca, da qual já se falava por volta de 1094. Inumeráveis outras foram construídas nos séculos posteriores.

Já sabemos que a  devoção a São Jorge como o patrono da Cavalaria, durante a Idade Média, foi propagada pelos cruzados, por ter São Jorge aparecido inúmeras vezes ao lado dos soldados da Cruz, durante as batalhas.

Estando os cruzados a caminho de Jerusalém, e passando por Lydda (antiga Dióspolis -- onde o Santo foi sepultado), durante a primeira cruzada empreendida em 1096, lá deixaram um Bispo e padres para rezarem, no altar do Santo mártir, segundo a intenção de que eles conquistassem a Cidade Santa. E, por ocasião do cerco desta, estando a batalha praticamente perdida para os cristãos, São Jorge apareceu a cavalo no Monte das Oliveiras. A visão celeste agitava um escudo e fazia um sinal, incitando os cristãos a entrarem na cidade, o que os levou à vitória.
A Inglaterra foi o país ocidental onde, na Idade Média, a devoção ao Santo teve papel mais saliente. O monarca Eduardo III colocou sob a proteção de São Jorge a Ordem de Cavalaria da Jarreteira, fundada por ele em 1330.

Fonte: Pandeoro