Mona Lisa estava doente?

06/09/2018

O médico norte-americano Mandeep R. Mehra levantou suspeitas de que a icônica Mona Lisa, de Lenardo da Vinci, símbolo de uma beleza enigmática que atravessou séculos, tinha problemas de saúde, como hipotireoidismo.

aracterizada pelo mau funcionamento das glândulas tiroide, a doença teria afetado a coloração da pele de Mona Lisa, tendendo a um amarelo, e os cabelos, de acordo com o estudo conduzido pelo especialista. Mehra atua como diretor médico do Heart and Vascular Center do Hospital Brigham and Women's, em Boston, e publicou essa hipótese na revista Mayo Clinic Proceedings.

"O enigma da Gioconda pode ser resolvido com um simples diagnóstico médico de hipotiroidismo, e o fascínio das imperfeições da doença é o que dá a esse trabalho a sua misteriosa realidade", escreveu.

Já em 2004, alguns pesquisadores, baseando-se em lesões cutâneas e em inchaço, visíveis na mão do retrato, afirmaram que hiperlipidemia e aterosclerose precoce poderiam ter causado a morte de Lisa Gherardini.

Entretanto, segundo Mehra, é improvável que ela tivesse esses distúrbios, já que viveu até os 63 anos e, na Itália, naquela época, estavam disponíveis tratamentos para essas doenças. Além disso, Mona Lisa tinha dado à luz pouco antes de posar para Leonardo da Vinci, o que indica a possibilidade de um problema na tiroide depois da gravidez.

Você acredita? O engenheiro francês Pascal Cotte, fundador da Lumiere Technology, não, mas isto desde 2002 quando examinou a famosa pintura renascentista de Leonardo Da Vinci, com uma máquina de sua invenção, revelando segredos e mistérios amplamente debatidos sobre a obra da Mona Lisa, também conhecida como La Gioconda (em italiano), La Joconde em francês, ou ainda Mona Lisa del Giocondo, é provavelmente a obra de arte mais comentada do mundo. Atualmente exibida no Museu Louvre, em Paris (França), depois de séculos de existência, a pintura não poderia, naturalmente, estar intocável ou exatamente igual era quando foi criada pelas mãos do gênio multiespecialista da Vinci.

Entra em cena Cotte, que criou uma câmara multiespectral de 240 megapixels que utiliza 13 comprimentos de onda de luz, do ultravioleta ao infravermelho, para gerar imagens que "descascam" séculos de alterações e desgastes em pinturas, revelando seu aspecto original.

Usando a câmara em Mona Lisa, o engenheiro foi capaz de lançar luz sobre a forma como o artista trouxe a figura pintada à vida, e como ela parecia à Vinci e seus contemporâneos. Com isso, 25 segredos de "Lisa Gherardini, mulher de Francesco del Giocondo" (o nome oficial da pintura) foram expostos.

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No original, a pintura parece um pouco diferente do que é agora, explica Cotte. "O rosto de Mona Lisa parece um pouco mais largo, o sorriso é diferente e os olhos são diferentes", diz. "O sorriso é mais acentuado, eu diria".

Um zoom de aproximação ao olho esquerdo de Mona Lisa revela uma pincelada única na região da sobrancelha. O fato do quadro, hoje, não apresentar nenhuma sobrancelha era ilógico, segundo Cotte. A verdade finalmente veio à tona: Mona Lisa tinha, sim, um traço acima dos olhos.

Outro dilema é a posição do braço direito da Mona, que se encontra transpassado pela sua barriga. Esta foi a primeira vez que um pintor posicionou um braço e punho dessa forma. Enquanto os outros artistas nunca entenderam tal raciocínio de da Vinci, ele foi copiado mesmo assim.

O que Cotte descobriu foi um pigmento atrás do pulso direito, que corresponde perfeitamente com o pigmento de uma "capa" pintada sobre o joelho de Mona Lisa. Por causa disso, a posição fazia sentido: o antebraço e punho seguravam um lado de um "cobertor". "O pulso da mão direita está erguido sobre a barriga, e isso não parece lógico. Mas se você olhar a imagem profundamente no infravermelho, você entende que é porque ela tem um pano na mão", conta Cotte.

As imagens de infravermelho também revelaram desenhos preparatórios de da Vinci, que estão por trás de camadas de verniz e pintura, mostrando que o homem do Renascimento também era humano. "Se você olhar para a mão esquerda, você vê a primeira posição do dedo que ele desenhou, e depois mudou de ideia", afirma Cotte. "Mesmo Leonardo da Vinci tinha hesitação".

Cotte também descobriu um laço no vestido de Mona Lisa, e que o cobertor sobre os joelhos de Mona Lisa também cobre sua barriga.

Quanto a alterações, foi descoberta uma alteração na posição do indicador esquerdo e uma no dedo médio. O cotovelo também foi reparado, devido a danos causados por uma pedra atirada na pintura em 1956. Por fim, Cotte notou que um dedo da esquerda não foi completamente terminado.

Cotte também argumenta que, na região da cabeça de Mona, onde há um véu, da Vinci pintou primeiro a paisagem, e só depois usou técnicas de transparência para pintar o véu em cima.

Outra descoberta é que a marca de mancha no canto do olho e do queixo de Mona Lisa são acidentes de verniz, o que contraria afirmações/suposições de que Mona Lisa estava doente no momento da pintura. Mais uma especulação que foi descartada é de que Mona Lisa foi pintada em uma placa de choupo sem cortes.

Cotte explica que olhar para a imagem ampliada em infravermelho de Mona Lisa deixa transparecer sua beleza e mistério. "Se você está na frente deste alargamento enorme de Mona Lisa, você entende instantaneamente porque é tão famosa", conta. "É algo que você tem que ver com seus próprios olhos".

Em outra declaração em 2015 o francês afirmou que embaixo do retrato pode estar outro, e que a mulher no retrato não seria Mona Lisa.

Na verdade outro estudioso da "Gioconda", Martin Kemp, professor emérito de História da Arte na Universidade de Oxford, não está convencido.

"Elas [imagens de Cotte] são engenhosas em mostrar o que Da Vinci pode ter pensado. Mas a ideia de que há esta imagem escondida sobre a pintura é insustentável".

"Eu não acho que haja estes estágios que representam diferentes retratos. Eu vejo isso mais ou menos como um processo contínuo de evolução. Eu estou convencido de que a Mona Lisa é Lisa (Gherardini)".

Já o historiador e apresentador de programas de arte da BBC Andrew Graham-Dixon diz ter certeza de que se trata de "uma das histórias do século".

"Provavelmente haverá alguma relutância das autoridades do Louvre em mudar o título do quadro, porque é disso que estamos falando - é 'Adeus, Mona Lisa, ela é outra pessoa'. 

O importante diz outro estudioso e critico d'Arte italiano Vittorio Sgarbi é que se continue a falar dela que seja Mona Lisa, la Gioconda o Sophia Loren, ela estará sempre ao centro das atenções.

Fonte:  AnsaBrasil e Natasha Romanzoti