Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo inaugura sala Ada Pellegrini

01/11/2019

Com quase 200 anos de fundação, a Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo inaugurou, uma de suas salas do prédio histórico batizada com nome da professora Dra. Ada Pellegrini Grinover.

Segundo o diretor da Faculdade do Largo de São Francisco, professor Floriano de Azevedo Marques Neto:

"além de ser uma sala reformada com recursos privados, é uma alegria ver o reconhecimento e a gratidão a Ada por sua inestimável contribuição intelectual para o Direito Brasileiro, ajudando na formação de tantos estudantes que passaram pelos bancos da nossa bicentenária instituição".

O Instituto Brasileiro de Direito Processual custeou a reforma com apoio de advogados e escritórios de advocacia.

Discurso de Ada Pellegrini pelo impeachment de Dilma
Discurso de Ada Pellegrini pelo impeachment de Dilma

Eu Djávlon conheci Ada Pellegrini e estive presente na inauguração graças a um amigo advogado italiano.

Conheci Ada ao tempo do Mazzola, um verdadeiro vulcano jurídico, não por nada nasceu em Nápoles perto do Vesuvio. Era filha do advogado e professor Domenico Pellegrini Giampietro, que foi Ministro da Fazenda da República Social Italiana entre 1943 e 1945, Ada Pellegrini emigrou com a família para o Brasil em 1951, estabelecendo-se em São Paulo. Formou-se em Direito pela FDUSP em 1958, na qual concluiu doutorado e obteve o título de livre-docente em Direito Processual Civil.

Ada Ingressou como docente da USP em 1971, tornando-se titular em 1980. Ademais, foi procuradora do Estado de São Paulo. Ainda, recebeu o título de doutora honoris causa pela Universidade de Milão (eu estava la) em 2007, e o prêmio da Fundação Redenti, em Bolonha, também na Itália.

Ítalo-brasileira Ada Pellegrini
Ítalo-brasileira Ada Pellegrini

Membro da Academia Paulista de Letras, com certeza foi a maior jurista mulher do Brasil e da Itália e deixou enorme contribuição ao mundo acadêmico como as obras "A Ação Civil Pública"; "Direito Civil e Processo", "Direito Processual Coletivo", "Juizados Especiais Criminais", "Teoria Geral do Processo" e "O Controle Jurisdicional de Políticas Públicas".

Lembro que adorava a cor turquesa, Ada, nesse meio tempo, contraiu novas núpcias, com Nicola Mazzola, leader da comunidade italiana de São Paulo de quem foi amigo e colega no Comitês Italiano em são Paulo. Ele era grande admirador da Ada, so falava nela, lembro que antes de Nicola falecer, eu, ele e o também finado Claudio Pieroni, ficamos mais de duas horas so falando de Ada Pellegrini e suas gestas.

Em 2016 Ada Pellegrini defendeu a prisão depois da confirmação da sentença, antes do trânsito em julgado.

Seria bom os Juízes do STF analizar a posição dela, que somente não foi Ministra do Supremo, na fala de José Carlos Dias ex Ministro da Justiça e do ex Presidente da República Fernando Henrique Cardoso, porque ela, sendo brasileira naturalizada, não poderia exercer o cargo. José Carlos Dias, na epoca trocadilhando, chegou a dizer ao Presidente: - Façamos uma "emendada" na Constituição Federal. Embora "cogitationis poenam nemo patitur", a mera "cogitatio" revela o extremo valor da recipiendária.

Mesmo se o amanhã não tivesse fim, como se o porvir fosse eterno e a morte não chegasse jamais, Ada, faleceu em 13 de julho de 2017, aos 84 anos de idade, uma Ítalo Brasileira que fez história.

Sala é pouco um dia espero de participar a inauguração da Faculdade e de Direito Ada Pellegrino, que se não for no Brasil, vai com certeza ser na Itália.

Djávlon