A verdadeira soberania começa com o carrinho de compras

27/03/2019

Os resultados das consultas eleitorais na Italia e no Brasil, de qualquer ordem e grau, afirmam claramente: as simpatias dos italianos e dos Brasileiros pelo chamado "mundo sovranista" estão aumentando constantemente. E, no entanto, diante desses números, que falam de um país (a Itália) em que há um crescente desejo de proteger o interesse nacional das tempestades do capitalismo global sem regras e limites, nos deparamos com uma incongruência básica. Que, por exemplo, da multidão de carros estrangeiros, alemães e japoneses em primeiro lugar, que continuam a viajar nas estradas italianas todos os dias. Aqueles, novamente, dos muitos italianos que continuam comprando principalmente roupas estrangeiras. Desde as blusas clássicas com o "decote em v" até os sapatos até as camisas polo, tudo é uma profusão de marcas estrangeiras. Sem mencionar o que acontece entre as prateleiras dos supermercados, incluindo iogurtes, cervejas e lanches estritamente multinacionais. 

No Brasil estamos na mesma situação, mas as pessoas falam claramente em qualidade, aqui aonde, o presento cru o cozido nem passa perto daquele italiano, como a maioria dos alimentos, ainda no Brasil os preços são caros e a qualidade discutível.

Bem, se é positivo que estamos finalmente recuperando um pouco de patriotismo em geral, as palavras devem ser seguidas pelos fatos. Certamente, a autarquia é hoje algo impensável e talvez impraticável. E, mais do que qualquer outra coisa, mesmo se quiséssemos implementá-la para uma escolha ética e pessoal, seria muito difícil entender quais produtos são realmente nacionais e quais não são, dada também a natureza enigmática (e intencional) de certos rótulos ... No entanto, se você pensar sobre isso, ficar longe do comportamento fanático, em muitos casos não é complicado exercer a chamada "preferência nacional". 

Na Itália, nem é necessariamente caro. De fato, o velho mito de que comprar produtos estrangeiros também era uma questão de poupança pode ser considerado ultrapassado: entre um caso de cerveja estrangeira e uma cerveja italiana (sem pescar os fashionistas "artesanais") comprados no supermercado, escolhendo o Italiano talvez haja para salvar. E entre um suéter de alguma conhecida marca de roupas de baixo custo das correntes usuais e conhecidas e um produto "no logo", feito na Itália, quase certamente de qualidade superior, e comprado no mercado local, os preços costumam ser mais do que competitivos.

No Brasil a coisa muda, a qualidade vinda do exterior, principalmente da mesma Itália, supera muitas vezes a do produto nacional, por isto aqui precisamos, antes de se preocupara com a compra de produtos nacionais, melhorar e de muito, a qualidade deles, para não cair na historia do nacionalismo barato e ruim.

Voltando a Itália: E o carro? E a moto? É realmente tão complicado preferir um carro feito na Itália? Honestamente não. Os preços não são muito diferentes entre um subcompacto francês ou coreano e um modelo homólogo da FIAT. E, em qualquer caso, se você realmente não pode fazer sem escolher um produto fabricado no exterior, pode sempre escolher varejistas italianos, esmagados por grandes varejistas e gigantes do comércio eletrônico. Mas então, alguém se pergunta, por que os italianos não fazem isso? Que sentido faz definir-se, talvez, como soberanos e depois continuar a ser escravos das modas do momento? Publicidade para grandes marcas? Expor um carro, uma camiseta, uma marca de cerveja italiana também é uma oportunidade para mostrar o orgulho de pertencer a outras pessoas. Mas, em segundo lugar, é também uma forma de contribuir, ainda que no pequeno e muito pequeno contexto de uma escolha pessoal, para a economia do próprio país. Afinal, qual a diferença com quem doa 100 ou 50 euros por alguma causa humanitária ao redor do mundo, sem saber o que realmente é? A causa, neste caso, é a dos trabalhadores italianos. Comprar um produto italiano na Itália ou brasileiro no Brasil é um gesto que, embora minucioso e talvez insignificante em termos absolutos, não deixa de ser patriótico e, portanto, de ser apreciado. Afinal você pode trocar a Coca Cola com o Guaraná, a bisnaguinha por pão de queijo, o sapato chinês pelo de Franca, o doce dinamarquês e o biscoito holandês pela goiabada e queijo de minas. 

Goiabada e Queijo Minas
Goiabada e Queijo Minas

Isto vale para o Brasil também, lembrando sempre da qualidade inferior em muitos casos. Então, pelo amor de Deus, você está completamente livre para esperar que a grande política pare as transferências industriais. No entanto, até que isso aconteça (e talvez agora seja impossível fazê-lo, uma vez que você não pode fingir que vive isolado do resto do mundo ...), você não pode e deve não apenas reclamar. O exemplo deve ser dado, como sempre, a partir do próprio comportamento. De sua vida cotidiana. Caso contrário, falamos bobagem.


Fonte: Cristiano Puglisi e Andrea Ruggeri - Blog Il Giornale e Itália no Brasil