A ditadura dos hipócritas e o fumacê no parque

03/09/2019

A volta da síndrome de comandar legalmente o hábito do outro

Por Antonio Fernando Pinheiro Pedro


Em tempo de globalismos, hipersensibilidades e surtos identitários, é fato que uma parcela minoritária da população está impondo suas vontades aos demais no amparo de um "direito decisório" totalmente autocentrado.
Globalistas, hipersensíveis dispostos a se ofenderem por qualquer coisa e surtados por síndromes identitárias dissimulam sua atividade antinacional e economicamente concentradora (os primeiros), neurastênica e sublimada (os segundos) e rancorosa e segregadora (os terceiros), no labirinto psicótico do vitimismo e do politicamente correto.
O que praticam passa longe de qualquer democracia, ainda que utilizem a "novilíngua" orwelliana para dourar seu autoritarismo com ares cosmopolitas.
O mote da saúde pública, desde os tempos de Adolf Hitler, é a senha para se desfazer da democracia. E assim, a ditadura da caneta "politicamente correta" segue sempre manipulada por gente problemática. 


Esse risco de desfazimento das garantias da cidadania parece ser maior e mais extenso do que parece.

O Município de São Paulo parece concentrar várias experiências desses "Iluminados" que se apoderam da caneta para desgregar, segregar e excluir. Por aqui decidiu-se proibir que charutarias e casas especializadas em charutos sediassem as baforadas de seus frequentadores. Já se tentou, por lei aprovada na Assembleia (e vetada pelo governador), que a bisteca constituiria infração administrativa se fosse consumida ás segundas feiras. Já se traçou quilômetros de ciclovias... sem que houvesse qualquer sentido nos traçados implementados, gerando grandes extensões de faixas sem tráfego. Patinete tornou-se obsessão de autoridades, que de tudo fizeram para impedir seu uso razoável pelos cidadãos paulistanos.
Conflitos jurídico-institucionais desse tipo desbordam para o campo da psiquiatria, pois normas "politicamente corretas", higienistas, surgem não em função do interesse público mas, sim, da inconfessável necessidade que muitos têm... de interferir na vida alheia.

Essa hegemonia dos medíocres ressentidos ameaça o pluralismo. É o ápice do regime político comandado por "gente com problema".

O jovem alcaide que dirige hoje a cidade de São Paulo, apoiado pela mais desacreditada Câmara Municipal do Brasil, acaba de nos dar mais um exemplo dessa necessidade de atormentar o cidadão: sancionou lei proibindo que fumem cigarros nos parques e praças da cidade (Lei Municipal 17.965 de 30 de agosto de 2019).
Claro que a medida segue modelos de outros países sem qualquer identidade com o nosso. Claro que a razão da saúde pública de novo é brandida, como elixir para qualquer iniciativa higienista. 
Tabagismo é um problema de saúde e cultural, no entanto é atividade lícita. Nesse sentido, se a lei não proíbe o hábito de fumar, não pode segregar o hábito em áreas públicas de uso comum do povo, pois nada de ilegal há nisso. 
Com efeito, logradouros públicos são de uso comum do povo, e o povo não é composto apenas de antitabagistas. O povo bebe, fuma, transa, conta piadas, enfim... não se parece em nada com os idiotas globalistas que querem pasteurizar culturas e comportamentos. Até mesmo maconheiros, que compõem o eleitorado do próprio prefeito - versão "prafrentex" do avô super fumante, Mário Covas, afirmam sua conduta "libertária" usando cantos de parques para o seu fumacê.
Fumantes compulsivos recorrem ao seu direito de usar bens de uso comum do povo (como são classificadas legalmente as ruas, praças e parques) para "não incomodar" nos lugares fechados - onde a lei já tratou de segregá-los em nome da saúde pública. 
Porém, o nazismo politicamente correto trata agora de fechar esses espaços de convivência dos diferentes à prática lícita do fumo. 
Vai resolver o "problema do tabagismo" na cidade? Claro que não! Como não se resolveria sequer com Mário Covas (vítima do hábito). 
O que vai ocorrer é mais um episódio de segregação contra os mais pobres e os mais velhos. Anotem: veremos guardinhas e fiscais operosos multando MENDIGOS, que não têm casa para fumar, idosos desavisados e jovens reunidos em grupos, tudo para gaudio dos militantes da chatice. 
Aliás, esses chatos foram os mesmos que aplaudiram a proibição de patinetes a menores recentemente... ou apoiaram as ações trogloditas de policiais e fiscais contra jovens que saíram no carnaval com seus próprios instrumentos musicais, e que não sabiam que bumbo e rebolado no último carnaval da cidade só poderiam ocorrer "com alvará" (e com alvará pudemos ver horrores serem cometidos contra o pudor, sem que os mesmos policiais impedissem...). 
O mundo dos hipócritas... E a grande hipocrisia é que a administração que perde tempo fazendo esse tipo de demagogia é aquela mesma que não consegue eliminar o maior fumódromo a céu aberto do Brasil: a cracolândia, e suas filiais que já se espalham por todos os baixos de pontes e viadutos da cidade. Também é a mesma administração que abandonou a zeladoria das praças e parques, e não conseguiu renovar os contratos de manutenção, já aparentando várias delas o abandono. Com certeza, essas unidades urbanas terão no fumante o menor dos problemas...
Falta do que fazer e espírito de ditador constituem elementos perigosos quando se misturam ao rancor e ao politicamente correto - produzem traques irritantes como esse marco legal ridículo, mais uma molecagem de uma administração moleque, que nos foi presenteada pela infinita vaidade de João Dória - aquele "gestor", que resolveu tornar-se governador - quebrando sua promessa solene de manter-se à frente da prefeitura até o final do mandato. 
A conhecida simpatia e lanheza de Bruno Covas, o jovem prefeito paulistano, não compensa a profunda arbitrariedade contida na lei que sancionou

É de se perguntar até quando iremos todos aceitar esse tipo de imposição "bem intencionada" porém tóxica para o Estado de Direito Democrático

Parece que está na hora de se impor o maior dos direitos: o da liberdade de escolha.


Nossa opinião

Sou ex fumante e categoricamente contro o fumo. Agora imagine você a confusão que o Ministério da Saúde antes e a Prefeitura de São Paulo agora estão arrumando, acabando com os fumódromos e colocando juntos em um mesmo ambiente (a rua), fumantes e não fumantes,  acabando com o direito de fumar nos parques e praças públicas da cidade de São Paulo, cigarros, cigarrilhas, charutos, cachimbos, ou narguilés. 

Se o cigarro faz mal, por que não é proibido? Só pra não perder os R$ 9,3 bilhões de impostos pagos pela indústria tabagista (dados de 2010)? Somente em tabacos, sem contar em esquerdos, fósforos etc etc...

O fato é o seguinte: se o cigarro é um produto lícito e só pode ser utilizado em locais abertos, como ruas e ou a propria casa, então, não fumantes da família do fumante e transeuntes estão obrigados a suportar a fumacinha do cigarro, afinal 75% das emissões de monóxido de carbono vêm dos automóveis, mas ninguém quer largar a porcaria do carro ou passar ao carro elétrico. Muitas vezes o sujeito nem tem garagem, mas tem carro. Uma mensagem para o Prefeito de São Paulo " quer acabar com o monóxido de carbonio na cidade de São Paulo ??? Proíba a circulação de carro não elétricos" .

Então, amigos não fumantes, quando aquela fumacinha de um cigarro te incomodar em plena rua, não fique chateado não, pense em seu carro e reclame com o Prefeito de São Paulo.

Djávlon