— Janaina Conceição Paschoal —

Janaina Paschoal estreou como deputada estadual, como um político de peso, disputando a Presidência da casa, mesmo sabendo que as forças adversárias estariam equipadas com 80% dos votos, mas disputou e trouxe o apoio completo da sua bancada, que para apoiá-la renunciaram a regalias várias. Ela já disse cogita em relançar a este argumento "um monte de gente veio me dar recado, perguntaram se eu não aceitaria o cargo de vice. Respondi que poderiaaté perder, mas concorreria à presidência. Por que a mulher tem sempre que aceitar ser vice? Me sinto pronta para trabalhar como me sentia antes".

As pessoas na rua adoram esta postura e quanto mais os inimigos a atacam, mais forças ela adquire. Ela nem começou a carreira de parlamentar e já deixou marcas profundas na política brasileira, dos últimos anos. Não dá para esquecer sua atuação como advogada onde foi co-autora do processo inicial do impeachment da presidente Dilma Rousseff. Como candidata, pela primeira vez, para o cargo de deputado estadual, no maior colégio do país, recebeu mais de 2 milhões de votos, tornando-se a deputada mais votada da história do Brasil. para aqueles que consideram isto um marco, ela desintegrou o record precedente, mostrando que não depende de minutos na TV ou dinheiro, mas de idéias.

Djávlon: Janaina Conceição Paschoal foi eleita com mais de dois milhões de votos. Alem de sua atuação no impeachment como analisa sua votação viral?

Janaina: Eu acredito que as pessoas sentem que eu amo o Brasil de verdade e não me importo com cargos. O enfrentamento do PT, de maneira quase solitária, com certeza, foi o fator determinante. Mas as pessoas, durante a campanha, diziam que votariam em mim, por eu defender a vida e os jovens; por eu não ser agressiva com as pessoas, mesmo brigando firmemente pelo país. Creio ter sido um conjunto de fatores. O preparo acadêmico e jurídico também contou. Muitos destacavam que eu tenho condições para ocupar cargos públicos. Eu nunca destaquei esse fato, mas entendo ser importante consignar.

Djávlon: Para o Brasil inteiro os heróis desta virada sobre o Comunismo, foram Sergio Moro (Lavajato), Jair Bolsonaro, único a ter coragem de enfrentar a Presidência da Republica contra todos e Janaina Paschoal, a mulher do impeachment contra outra mulher, o que precisamos dizer a milhões de pessoas na Europa que ainda estão condicionados por jornais, TVs e revistas fake?

Janaina: Penso ser importante dizer que os simpatizantes do PT ganharam muitas bolsas, muitos patrocínios, por isso viajam muito, espalhando sua versão pelo mundo. Aqueles que se identificam com a direita, em regra, valorizam muito o trabalho e, consequentemente, têm menos tempo para rodar o mundo explicando a realidade dos fatos, ou, pelo menos, divulgando o outro lado da história. Eu mesma recusei o convite para participar da Brazil Conference e de tantos outros eventos, em razão do meu trabalho na Alesp, por entender que preciso estar preparada, estudar os projetos, visitar os lugares. Pela perspectiva direitista, minha escolha foi correta. Mas, pela dinâmica esquerdista, de catequizar pessoas e o mundo, eu errei ao ficar. A imprensa conversa com os formadores de opinião e os formadores de opinião, no Brasil, são esquerdistas, em sua maioria.

Djávlon: Janaina você foi cotada para ser vice do Bolsonaro. Recusou. Por quê?

Janaina: Foram muitos fatores. Eu não poderia, nesta fase da minha vida, mudar para Brasília. Pedi para a vice-Presidência ficar sediada em São Paulo e eu iria para Brasília toda semana e sempre que o Presidente viajasse. O núcleo duro da campanha não gostou da ideia. Além disso, eu percebi que esse mesmo núcleo duro não queria uma pessoa tão ponderada ao lado. Ademais, o próprio presidente disse estar preocupado com minha segurança, pois ele já vinha sendo ameaçado. Foi um conjunto de fatores. Olhando para trás, penso ter sido mesmo melhor.

Djávlon: Estamos tentando contar a historia do Brasil atual o que você diria aos italianos em relação a esta conquista de Bolsonaro e a sua atuação? Aonde este Brasil vai?

Janaina: A eleição de Bolsonaro é decorrência direta do processo de impeachment. Se o PT tivesse continuado no poder, com o peso da máquina, a capacidade de marketing e, sobretudo, a união de seus membros, Bolsonaro não teria chances. Eu torço muito pelo governo. Se o governo não tiver sucesso, o PT pode voltar. Se não o PT, um PSDB reformulado. Os dois partidos são muito parecidos. Não obstante torça pelo governo de Bolsonaro, entendo que ele deveria ter bem claro que não foi ele quem ganhou, foi o PT que perdeu. Os bolsonaristas não são crentes como os petistas. Os apoiadores de Bolsonaro querem resultados. O petismo é uma religião, o bolsonarismo foi a saída que se apresentou.

Djávlon: Você afirmou recentemente que a eleição do Presidente Jair Bolsonaro foi uma resposta da população. Resposta a quê?

Janaina: Resposta ao totalitarismo petista. Por isso digo que o bolsonarismo foi uma saída. Os eleitores de bolsonaro, não necessariamente, concordam com seu discurso politicamente incorreto, mas não suportam mais a ditadura do politicamente correto. Estávamos todos asfixiados pelo petismo e suas bandeiras.

Djávlon: Jean Wyllys, Deputado eleito pelo PSOL, renunciou ao mandato, falando de ameaças e sofrimento, você na época do impeachment, por exemplo, sofreu ameaças? Se sim o que acha dele abandonar os eleitores e o país e ficar pelo mundo falando mal do Brasil?

Janaina: Eu não gosto muito de falar sobre isso. Foram muitas as ocorrências, mas prefiro focar no futuro, no positivo. Eu acredito que o Deputado decidiu mudar de vida e se apegou a essas ameças para justificar abandonar o país. O caso precisaria ser melhor explicado. Parece mais uma estratégia do que medo real.

Djávlon: A Itália sofreu com a politica da esquerda, diferentes os temas, mas muito parecidas a formas de ataque, jornais, revistas e TVs, professores das universidades e alguns Juízes, o que acha disto? esquerda internacional unida ou alguma coisa mais grave?

Janaina: Durante o processo de impeachment, eu recebi uma TV portuguesa no escritório, para uma entrevista. Pouco tempo antes, eu havia estado em Portugal e constatei a força que o marxismo vem ganhando naquele país. Falei ao jornalista, que eles também deveriam ficar atentos. A leitura marxista do mundo é muito prejudicial para uma sociedade. O marxismo é uma seita, a única maneira de enfrentar é o estudo e a coragem de debater. Como os esquerdistas são muito contundentes, os direitistas se acovardam e os primeiros tomam conta. Mas para entrar nesse debate, faz-se necessário estudar. Os direitistas brasileiros ainda são muito superficiais e findam diminuindo a direita como um todo.

Djávlon: A Itália sofreu muito com a historia do Battisti, assassino condenado na Itália a prisão perpétua e que graças também ao intervento de Bolsonaro voltou para cadeia na Itália. Ele agora declarou ter mesmo cometidos todos os crimes pelos quais foi condenado. Tem no meu pais muitas pessoas que pedem a investigação dos amigos dele (chamados de cúmplices) que permitiram ao assassino, de permanecer livre no Brasil, e de tomar sarro das vitimas e de todos os Italianos na Itália, no Brasil e no mundo, o que acha disto?

Janaina: Quando Battisti ganhou asilo, a Folha de São Paulo me convidou para escrever um artigo a respeito. Como eu não conhecia o caso, pedi os documentos e o jornalista me enviou cópia do processo. Depois de ler os autos, eu concluí que o julgamento de Battisti, na Italia, não havia sido político. Tratava-se de um julgamento jurídico, baseado nos fatos, nas provas, na lei. Por isso, defendi que ele não poderia ser acolhido no Brasil. À época, o Ministro Barroso era advogado do Battisti e chegou a responder meu artigo, na própria Folha de São Paulo. O Ministro, na condição de advogado, fez o papel dele, não posso criticar. Mas o tempo mostrou que eu tinha razão. Quanto a investigar os cúmplices, seria necessário saber o grau de cumplicidade. Como professora de Direitos, salvo em casos gritantes, eu defendo que cada um responde pelos próprios crimes. A condenação moral sempre será possível, a condenação penal requer maior cautela.

Djávlon: Eu sei que o argumento é pesado, mas nós italianos precisamos enfrentá-lo, Achille Lollo chamado o Monstro de PRIMAVALLE, bairro em Roma onde ele assassinou os filhos de 10 e 22 anos de um apaixonado pela direita, fugiu depois da condenação para o Brasil e aqui Lollo militou no PT e, a seguir, no PSOL, onde é considerado como principal ideólogo, queteria ajudado a construir a base ideológica e estratégica do partido. As produções jornalística de Lollo para o PSOL foram basicamente veiculadas pelas revistas trimestrais "Nação Brasil", "Conjuntura Internacional" e "Crítica Social", das quais era editor. Como pode acontecer uma coisa destas?

Janaina: Confesso que desconhecia essa história. Eu nunca tinha ouvido falar nesse senhor. Eu precisaria me informar sobre o tema para poder responder, mas, se as coisas realmente ocorreram assim, é algo a ser investigado e até punido, pois pode caracterizar favorecimento pessoal, na melhor das hipóteses.

Djávlon: Janaina Pascohal qual é sua pior qualidade?

Janaina: Eu sou muito apaixonada por tudo que faço e acabo cobrando o mesmo entusiasmo de quem está do meu lado. Eu não tenho paciência com pessoas que se contentam com o básico.

Djávlon: E qual é sua melhor defeito?

Janaina: Eu sou perfeccionista. Isso é bom por um lado, mas torna a vida insuportável, para mim e para os outros (rs).

Djávlon: Janaina Paschoal ou Pasquale? e o que você sabe sobre sua origem Italiana?

Janaina: Meu bisavô nasceu na Itália, na cidadezinha de Roccadaspide, na província de Salermo.

Djávlon: Qual sua comida Italiana preferida?

Janaina: Berinjela a Parmegiana.

Djávlon: O que quer dizer aos italianos e europeus sobre as intenções deste novo Brasil, do qual você faz parte?

Janaina: Apesar de todas as dificuldades, nós estamos tentando reiniciar o Brasil. Desde as manifestações de 2013, passando por Impeachment, LavaJato, eleições de 2018, nós estamos fazendo revoluções, sem sangue e sem armas. Nesse sentido, tenho muito orgulho do meu país e do meu povo.

Janaina muito obrigado agora poderíamos fechar com um "Marrone di Roccadaspide", um tipo de castanha portuguesa reconhecida pela marca IGP, tipica da linda cidade de seu bisavô.