Costumes
Ao contrário dos brasileiros, os italianos saboreiam um prato de cada vez
Com no mínimo cinco refeições diárias, os italianos consomem um alimento de cada vez, dividindo-os em dois ou três pratos. No almoço e jantar é comum serem acompanhados por vinhos e pães.
Outro costume marcante é a divisão de pratos durante a semana. Na Itália, como no Brasil, é comum a existência do prato do dia. Nas sextas-feiras, dificilmente uma refeição é acompanhada por carnes vermelhas.
Devido à disposição geográfica de cada região, os costumes variam. Por exemplo, na região da calábria, ao norte e próxima ao mar Jônico e Tirreno, o consumo de peixes é maior que o de carne.
Café da Manhã (Colazione):
O café da manhã começa antes do trabalho, entre às 7h e 7h30. Composto normalmente por café, café com leite ou capuccino essa refeição é acompanhada por pães com geléia ou pães doces ou, ainda, croissant.
Antes do almoço, entre às 10h e 10h30, os italianos fazem um lanchinho, o spuntino. Que pode ser um sanduíche de queijo e presunto, uma fruta ou apenas um suco natural.
Almoço (Pranzo):
É a partir das 12h30 que se inicia o almoço. Essa refeição é composta por dois pratos principais.
O primeiro (primo piatto) são as massas, como macarrão, espaguete, lasanha, penne, entre outros.
Já no segundo (secondo piatto), são servidas as carnes, que podem ser de coelho, porco, frango, boi e peixe. Essa refeição, normalmente, vem acompanhada pela salada ou insalata -- como dizem os italianos. Esta é rica em legumes e verduras.
Para sobremesa são servidos os doces.
Para finalizar vêm as frutas e o cafezinho.
Merenda:
Às 17h é a hora da merenda.Sempre obrigatória, ela deve ser servida, principalmente, às crianças. São sanduíches de presunto ou mortadela, com um copo de chocolate ou apenas frutas.
Jantar (Cena):
Um jantar bem servido deve sair, às 20h30 e seguir basicamente sete passos:
Antepasto - para "abrir o apetite" é comum servir queijos, salames, azeitona, além de bruschettas (fatias de pão amanhecido, torrado na grelha, com alho, tomates, azeitonas, berinjelas e regados com muito azeite de oliva.).
Primo Piatto (prato principal) - pode ser uma sopa de legumes ou massas.
Secondo Piatto (segundo prato) - é a vez das carnes vermelhas ou brancas. Juntamente com esse prato, é servida a salada (insalata), composta por verdura e legumes.
Frutta - pode-se servir frutas da estação ou fazer uma salada de fruta
Dolce - ao final são servidos tortas, bolos, sorvetes.
Caffè - para finalizar um típico expresso italiano
Iguarias
Descubra algumas curiosidades sobre as iguarias italianas mais conhecidas
Você sabia que a famosa pasta italiana originou-se na China? E que o pão foi utilizado como oferenda na Antigüidade pelos egípcios, gregos e romanos? Essas e outras curiosidades são desvendadas a seguir:
Antepasto
Os Antepastos são os pratos usados como entrada. Patês, queijos, presuntos e outros similares, como o carpaccio, são servidos juntamente com os pães. Para acompanhá-lo é preciso um bom vinho tinto italiano.
Polenta
A palavra polenta vem do latin pollen que significa flor de farinha. Considerado um dos alimentos mais antigos do Império Romano, a polenta surgiu há seis mil anos, no Egito.
Na verdade, não é a polenta que hoje conhecemos. Os primeiros cozimentos eram preparados pelos egípcios com grãos esmigalhados de fava ou farro (um cereal semelhante ao trigo, porém mais consistente).
Entretanto, outros estudos mostram que os pioneiros no consumo da polenta tipicamente italiana foram os romanos. Eles preparavam um prato denominado pultem com grãos de farro esmagados e cozidos com queijos, carnes e molhos.
Já em 1300, um manuscrito descreve uma torta de farro parecida com a polenta preparada no Brasil. Esta, era temperada com leite, toucinho e queijo. No século seguinte, outro registro fala de uma receita em que a farinha de farro em caldo de carne era temperada com gordura de porco, queijo, carne, açúcar, ovos e açafrão.
Mas somente depois da descoberta da América, com a difusão do milho pela Europa, no século 16, que a polenta ganhou a cor alaranjada que hoje conhecemos.
Porém, na região de Friuli Venezia Giulia (fronteira com a Iugoslávia), em 1550, a polenta de farinha de trigo amarela já era conhecia. Ainda na região norte da Itália, a polenta perdeu a característica de ser um alimento simples e popular.
Freqüentemente, em seu preparo eram utilizadas ervas aromáticas, condimentos delicados e molhos tradicionais que acompanhavam pedaços de presuntos, lingüiças, mortadelas, carnes, queijos e até cogumelos e ostras.
Há uma diversidade de farinhas com que se pode fazer polenta, mas a tradicional é elaborada com a farinha de milho ou fubá.
Para prepará-la, utilize um litro e meio de água para meio quilo de fubá ou farinha de milho, sal a gosto e uma colher de azeite. Aumente a quantidade de água, se preferir uma polenta menos consistente. Como regra geral, é necessário maior quantidade de água quando se usa farinha velha.
Bruschetta (pão italiano)
Esta receita surgiu com o pretexto de aproveitar o "pão velho". A clássica bruschetta é feita com uma fatia de pão italiano rústico de casca dura, tostado na grelha juntamente com alho, azeite de oliva, sal e pimenta do reino.
Para preparar uma verdadeira bruschetta é preciso untar o pão com bastante alho e azeite. Originário das regiões da Lazio e Abruzzo, o termo Bruschetta (pronuncia-se brusqueta) significa tostado ou torrado.
Como os pães italianos são diversificados e variam de região para região, a bruschetta possui sabor e aparência com características bem diferentes. Na Puglia e na Campânia, por exemplo, essa iguaria é feita com um pão crocante, chamado de frisella ou frisedda.
Já na calábria, sicília e Basilicata, utiliza-se um pão de semolina e sementes de gergelim, guarnecido com tomates, azeite e orégano. E na região da Toscana, o pão local é preparado com feijão branco cozido, ervas e alho, couve picada bem fininha e aferventado em água e sal.
Pode-se até organizar uma festa somente com bruschettas, utilizando quatro ou cinco tipos diferentes de pães, sempre acompanhados por um bom vinho.
Pasta
Há muitas teorias sobre o surgimento da massa pela Itália. Mas a mais conhecida é a historia do viajante veneziano Marco Pólo, que em meados do século 13, trouxe da China as primeiras receitas. Entretanto não se sabe ao certo, nem onde e nem quando a pasta foi preparada pela primeira vez.
Consta-se que na Itália, em uma tumba do século três antes de Cristo, foram encontrados utensílios para preparação de massas. Porém, onde quer que ela tenha surgido, foi graças ao hábito dos italianos de comê-la, que esse prato ficou conhecido.
Pesto
O pesto é um tradicional molho genovês, de fácil preparo e utilizado em vários tipos de massas, como nhoques, lasanhas, spaghetti, penne, entre outros.
No tradicional pesto vai manjericão, azeite, queijo parmesão ralado, sal e pinoli (uma espécie de fruta seca tipicamente italiana). A palavra originou-se do verbo pestare, que significa esmagar ou amassar. Ou seja, ao invés de usar o liquidificador para triturar os ingredientes, os italianos o preparam por meio do pilão. Segundo eles, dá um pouco mais de trabalho, mas o resultado é muito superior.
O molho pode ser conservado em geladeira, desde que acondicionado em recipiente hermeticamente fechado e coberto com uma fina camada de azeite.
Vinagre Balsâmico
O balsâmico é um vinagre aromático, agridoce e de forte sabor. Para deixá-lo mais suave e escuro é preciso envelhecê-lo por sete anos, mas é bom lembrar que quanto mais tempo ele é tratado, mais alto é seu preço.
O vinagre vem do aceto balsâmico -- uvas produzidas no norte da Itália, que são colhidas quando estão bem doces. Em seguida, elas passam por um processo de secagem ao sol e são amassadas. Logo, um suco é extraído e fervido lentamente até virar um concentrado. Depois de resfriado e transferido para um barril, o caldo é fermentado, assim ele matura e evapora, condensando ainda mais o sabor.
Conhecido na Itália há mais de mil anos, o vinagre balsâmico só começou ser produzido em grande escala com objetivos comerciais. Antes disso, ele era utilizado como dote de noivas ou saboreado como licor.
Um vinagre aromático de boa qualidade deve ser usado com moderação, principalmente, apenas como um tempero. O vinagre balsâmico é ideal para temperar alimentos, como frango, peixe e vegetais.
Pão
Levado a Europa pelos gregos, no século 7 antes de Cristo, o pão era consumido somente pelas famílias. Mas foi no Império Romano (século 5, depois de Cristo) que ele passou a ser comercializado, dando origem aos primeiros padeiros.
Com a queda do Império e da organização imposta por ele ao mundo, as padarias européias desapareceram, retornando a fabricação caseira. Embora existissem fornos e moinhos, o sistema feudal só permitia seus usos somente para o consumo próprio.
Sendo assim, apenas os castelos e conventos possuíam padarias. Foi somente com a invenção de novos processos de moagem da farinha que a indústria da panificação teve seu desenvolvimento.
Se antes os grãos de cereais, principalmente o de trigo, eram triturados em moinhos de pedra manuais, em 1784, são inventados os primeiros moinhos movidos a vapor. Mas foi após 97 anos, com a invenção dos cilindros, que surge o aprimoramento da produção do pão.
Segundo o antropólogo Gilberto Freyre (1900/87), o Brasil só conheceu o pão no século 19. Antes, se usava o biju de tapioca, a farofa, o pirão escaldado ou a massa de farinha de mandioca feita com caldo de peixe ou de carne.
A atividade de panificação no Brasil se expandiu com os imigrantes italianos. Foram com eles que nos grandes centros, principalmente em São Paulo, se instalaram e proliferaram as padarias, hoje comuns em todo país.