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Estude no Brasil - A música e o ensino da língua italianaEncantadora, bonita, sedutora, romântica, melodiosa, musical... A língua italiana costuma ser associada facilmente a esses adjetivos, o que, à primeira vista, poderia ser considerado um simples clichê. Aquele que está incumbido de ensinar essa língua no Brasil tem, no entanto, nesses mesmos adjetivos, elementos preciosos que podem ser utilizados em favor de sua tarefa. O Belpaese e seu idioma ocupam lugar especial no imaginário dos brasileiros, que, quase invariavelmente, guardam predisposição para conhecê-los melhor – um certo gostar a priori. Alimentar essa empatia, buscando formas menos tradicionais de ensinar a língua, é um excelente caminho para obter sucesso na empreitada. Todo professor sabe que estímulo e motivação são fundamentais na construção do conhecimento em qualquer disciplina. A música, nesse sentido, é forte aliada didática, pois além de tornar o aprendizado lúdico, é capaz de manter acesa a dimensão afetiva que está na base do interesse que se flagra no Brasil pela língua italiana. Mesmo aqueles que buscam aprender a língua por motivos práticos, levados, por exemplo, por exigências profissionais, são fisgados por esse filão.
Ao ouvir as canções interpretadas por diferentes cantores, o aluno exercita sua capacidade de compreensão oral e se familiariza com diversas pronúncias. Sua identificação com a música motiva-o, em um passo seguinte, a passar para o papel as palavras e os elementos gramaticais que foi capaz de identificar no texto, exercitando, assim, a expressão escrita. A música é um texto que o aluno, ao mesmo tempo, ouve, lê e recompõe. E o ato de cantar, sozinho ou em grupo, além de dar-lhe imenso prazer, promove o exercício da expressão oral. A variedade de temas apresentados nas letras das canções populares italianas abre muitas possibilidades de abordagem. O fato de predominarem o amor e o romantismo, longe de limitar o processo de aprendizagem, o estimula muito! Há várias formas de se falar de amor e de se sofrer por amor! As verdadeiras poesias que são as letras de Fabrizio de Andrè; a abordagem inteligente e sempre coloquial de Jovanotti; canções marcadas pela simplicidade e delicadeza como as eternas Io che amo solo te, de Sergio Endrigo, e Al di là, com letra de Giulio Mogol; as histórias de casal contadas – passo a passo quase como um roteiro de filme – por Lucio Dalla em Anna e Marco e Stella di mare; a versão de Sergio Bardotti para a Rita de Chico Buarque ou o divertido jogo de sedução na famosa Parole, parole gravada por Mina e Alberto Lupo são apenas alguns exemplos da diversidade de estilos disponíveis para serem trabalhados. Alguns textos se prestam a um curso para iniciantes, outros, pela sua complexidade textual e gramatical, devem ser utilizados nos grupos de nível avançado. Reconhecer em cada conteúdo as suas possibilidades é um dos segredos para envolver o aluno na medida correta – com novidades suficientes e grau de dificuldade controlado para estimulá-lo sempre. Desta forma, o encontro entre língua e música será harmônico e profícuo. ROSANE BARDANACHVILI
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