Participação ao debate com a escritora Igiaba Scego no Circolo Italiano de São Paulo

03/08/2018

No dia 02 de Agosto, começando as 19h40, o Circolo Italiano recebeu a escritora italiana Igiaba Scego, que veio ao Brasil para ser destaque na FLIP 2018. Igiaba apresentou no Circolo Italiano suas principais obras, entre elas seu último livro: "Caminhando Contra o Vento", com mediação e interpretação de Francesca Cricelli, tradutora de sua obra e poeta. De origem somali, Igiaba têm alcançado grande destaque (a dita dos organizadores), no cenário literário internacional ao escrever sobre a dualidade de ser italiana e somali, sobre os caminhos de sua mãe e o seu sentido de pertencimento. No cantor brasileiro Caetano Veloso e sua obra, Igiaba encontrou traços afetivos de sua história de vida e de imigrante como o de tantos italianos que imigraram para o Brasil.

Isto era o que a apresentação da noite prometia, motivo pelo qual decidimos participar, como jornalistas e como site, mas o que vimos era além de uma vasta apresentação pessoal, um monólogo direcionado a um público politizado a esquerda, e como painel do fundo um pressuposto ressurgimento do racismo na Itália.

O nosso Jornalista Djávlon, ficou, depois de ouvir de Igiaba outra vez sobre a agressão a Daisy Osakue, como um episódio de fundo racista, chocado perguntou "porque ela colocaria aquela questão, na mesa, se já se sabia a dias que não foi uma ação de racismo, mas uma  estupidez  de três moços jogando ovos em todos as pessoas que por ali passavam, já presos, confessaram o ato. Álem do mais dois são filhos de ativistas do PD, mesmo partido que junto com Daisy levantou o falso ato racista na Itália. Os ovos jogados pegaram não somente na Daisy, mas em outras pessoas entre elas três moças ''brancas''.

A resposta da Igiaba foi concordando com a reclamação do jornalista, no começo, até gritar que para ela não importava se eram do PD ou da Lega aqueles que golpearam, mas o que importava era a agressão (porem se chamamos de agressão, jogar ovos, ela tinha sido feita também as outras três moças, e em defesa delas a Igiaba não se posicionou, afinal elas eram brancas, mas isto não é racismo??) Claro o publico politizado aplaudiu Igiaba, mostrando aos presentes, que a Itália esta vivendo um momento de racismo feroz

Para nós que amamos a Itália e trabalhamos para ela (veja nossas páginas), uma ducha de água fria. Tanto trabalho a favor de nosso pais jogados as traças, Djávlon não estava defendendo uma idéia política diferente ou o Ministro Matteo Salvini (direção dos ataques do PD), mas estava defendendo a Itália, os italianos, a cultura e tudo o que ela representa.

Entre os presentes, e defendendo a posição da Igiaba, a representante do CGIE, Rita Blasioli (envolvida nestes dias na polêmica dos financiamentos a FECIBESP pelo Jornal "Il Giorno del Sudamerica"), a esta altura pegou o microfone e falou aos presentes que os italianos não sempre foram bons emigrantes, aliás elogiou e incitou a leitura de um livro que estigmatizava negativamente os emigrantes italianos. 

Vocês acham que é correto a 6 dias do aniversario de Marcinelle uma representante do CGIE fale mal dos nossos emigrantes?      Mas a noite não acabou assim.

O mais chocante foi o impedimento a falar de Cris Vicente que estava reservada para fazer perguntas, somente porque ela também é negra (umas das poucas na sala). As vozes e os gestos foram de impedir ela de falar porque ao lado de Djávlon e colaboradora do nosso site. 

PURO RACISMO CORTANDO QUALQUER OUTRA OPINIÃO

Mesmo assim vamos colocar aqui a pergunta da Cris ''Igiaba você mencionou que tem interesse nas questões que envolvem os negros brasileiros. Eu Negra e brasileira posso lhe apresentar um breve quadro sobre o racismo no Brasil. Esta sala reflete a realidade dos negros brasileiros, pois ao olhar o público presente é possível contabilizar que os negros são menos de 5%; se você acompanhou a copa do mundo na Rússia deve ter notado que praticamente não haviam torcedores negros brasileiros. Este é o Brasil, que apesar de ter mais de 50% da população da raça negra não somos protagonistas ou representados de forma positiva. A minha pergunta é se você fosse brasileira a chance de estar aqui como palestrante seriam quase nulas em razão da sua raça, em quanto o fato de ter nascido na Italia lhe permitiu não so uma formação acadêmica necessaria, como também escrever e lançar seus livros, qual a sua reflexão deste quadro?

Respondam você no nosso e-mail italia@italia.org.br , afinal nós não cortamos qualquer outra opinião.... "Não vou discutir o cerceamento sofrido pela minha colega, hoje a noite. Não vale a pena é racismo da palavra além da cor. Tentar nos impedir de trabalhar não é defender a liberdade. Ponto final"